sábado, 2 de agosto de 2008
Amores e Humores (poesias)
domingo, 7 de outubro de 2007
Aging
AGING
When the shadow of age comes
only helplessness remains.
We sing our songs for no one.
We give our cries in vain.
For the best of our days are gone
and the rest of our hopes are dead.
Now the space is still to come
and the time stands not ahead.
Friends no more than names in stones.
Tears of widows upon their graves.
Wives living their lives alone
Left in freedom as life slaves.
While I'm passing my days at home,
writing letters I never send,
I say to myself, “now it's done!”
It's too late to be the end!
20/10/95
Novamente
NOVAMENTE
Tudo já foi dito
mas eu vou dizer de novo.
Que mortes passem obliquamente
dilacerando o texto
expondo o nervo
deixando o verso inacabado.
Mortes de renascer mil vezes
até que se conclua o tempo;
até que se satisfaça o fado.
O texto nada mais é
do que o início repetido;
do que o fim antecipado.
O nervo dilacera o texto
que expõe o verso
que satisfaz o tempo
e que conclui o fado.
A morte, como já foi dito,
passa obliquamente...
23/02/95
COMENTÁRIOS: é mais um poema em que há uma duplicidade ou multiplicidade de sentidos em cada palavra, verso ou expressão. Quando isso acontece, não consigo explicar de forma linear. Alguns tópicos são: construção e desconstrução do poema; a presença constante do tema “morte”; o destino do poeta; e por aí vai. (José Roberto Tolentino)
Psicanálise
PSICANÁLISE
Quando o firmamento se posiciona
e instala a noite que, imóvel, assiste
os dramas do mundo de sua poltrona
fazendo de conta, fazendo ar de triste;
Quando a dita noite instalada e fingida
repete seu canto de torpe sadismo
eu viro de costas, eu cubro a ferida
eu faço de conta que não é comigo.
Há tempos livrei-me das minhas agruras
mandando pro espaço meu ar paranóide;
pra dar nome aos astros com minhas torturas
lancei mão dos gregos (que sabem de Freud).
Lá no alto céu coloquei minhas dores.
Transportei, às estrelas, minhas feridas:
elas que pulsem, que sofram horrores;
elas que fiquem com as dores da vida.
02/04/96
COMENTÁRIOS: dizem que a poesia só trata dos mesmos assuntos: amor, morte, vida e noite. Pois é. (José Roberto Tolentino)
Posição de Sentido
POSIÇÃO DE SENTIDO
Já li e escrevi muito... e nada.
Queria fazer um poema
que desse sentido à vida.
Queria fazer um poema
para dar sentido à vida.
Eu, que já toquei o topo da montanha
contemplo, como um Cristo, a planície vazia
onde serpenteia a música mais estranha
que, de tanto harmonizar, não melodia.
Onde está a razão de Deus nessa harmonia?
Onde está Deus em eu-acima-da-planície?
Eu hei sentido que não tenho sentido
e tudo é menos que um jogo de palavras.
Atire o primeiro xis quem há sabido
onde se acende o som e a luz se apaga.
Deus vive a montar estratagemas de morte;
a vida deixa-a como ardil para inocentes.
Quis me equilibrar, fazendo de Deus suporte:
tomei-lhe as mãos e vi-me solto de repente!
Sigo sem Deus, sem deuses e comigo
como uma esfinge, vivendo por viver
sem ter poema e sem ver nenhum sentido
em viver, em morrer, em não morrer.
09/08/96
Um após o outro
UM APÓS O OUTRO
Os dias são tristes, mas não é por culpa deles
coitados, que só cumprem o que trama o destino.
Os dias acompanham, atenta e impotentemente
a trajetória do piloto em direção ao muro
sem conseguir parar o tempo.
Os dias sopram brisas para secar lágrimas
e fazer cantar as folhagens que ouvem lamentos e suspiros
dos que perderam entes ou se perderam de amores;
Os dias se rebelam muitas vezes
e enchem de muito sol e poucas nuvens
horas em que aviões despencam sobre casas;
Os dias chovem quando eu vou à praia
porque não foram avisados
com a devida antecedência.
Os dias tendem a ser menores nas férias
por motivos que ainda não entendi direito.
Mas os dias são sempre clones de si mesmos.
Os dias não estão nada satisfeitos
com o que se faz deles.
Os dias querem ser melhores.
Os dias querem melhores dias.
José Roberto Tolentino 05/03/97
